lunes, 28 de abril de 2008

Poema ao balcão

A mis amigos de la Cafetería Las Caballerizas

Agencia pouca palavra quando pede café
vem café e jogamos ao papel que ainda vamos a tempo
um poema ao balcão em tarde de chuva nas Caballerizas
pela frente muita coisa de coração, jogar pelo tempo
que faz lá fora e no resto da cidade, onde se tome café
Agencia um mínimo que valha pelo poema
mas um poema ao balcão poema que venha guloso
a postura é bem sabida mas não cabe no verso
nem mesmo neste ali aberto mas já tão demorado
o corpo atirado no balcão é um corpo vantajoso
ainda que estivesse enamorado mas está
Agencia uma colherada de açucar e olha em volta
tem três dezenas de cadeiras onde olhar
mas as palavras entram em dúvida
e não sabe se o café se se sentar
ou justamente começar a amar
Agencia pouca palavra quando paga café
em Salamanca ou onde por ora se tome café
do balcão à porta vai ser como da porta ao balcão
pode ser e pode mesmo que alguém note
na cor da mão que leva junto do bolso
e do balcão à porta leve um bocadinho mais
ele que se viesse de bicicleta daria aos pedais
como em miúdo e noutro tempo muito antes dos poemas
atirava ao ricochete à fisga e detestava carnavais.


Hugo Milhanas Machado
Salamanca, 18 abr. 08

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